Quantificação da Inativação da Ocratoxina A pela Radiação Gama. Um Exemplo do Potencial da Radiação Ionizante na Descontaminação de Agentes Químicos

Monique Cardozo, Stefania Priscila de Souza, Tanos C. C. França, Claudia M. Rezende, Angelo C. Pinto, Antônio Luis S. Lima, Keila S. C. Lima

Resumo


A ocratoxina A (OTA) é uma toxina produzida por fungos em alimentos que podem provocar danos aos homens e animais como, por exemplo, a indução de câncer. Por isso, é necessário reduzir o conteúdo de OTA nos alimentos. A irradiação é uma técnica de beneficiamento que consiste na exposição de produtos a ação de radiações ionizantes. A radiação ionizante também pode agir na inativação de toxinas, degradando-as pela formação de produtos radiolíticos. O presente estudo teve por objetivo verificar a ação de doses de 1, 3 e 5 kGy na inativação da OTA em soluções modelo. Para quantificar a redução do conteúdo de toxina nas amostras testadas foram utilizadas técnicas cromatográficas e os dados obtidos foram submetidos a tratamento estatístico. Foram também investigados os possíveis produtos radiolíticos caracterizados por espectrometria de massas de alta resolução com ionização por eletrospray. Os resultados revelam que a radiação ionizante tem potencial para reduzir a toxidez de produtos contaminados com OTA com considerável inativação desta toxina a partir da menor dose aplicada (1kGy). Verificou-se que os principais radiólitos são obtidos pela quebra oxidativa de ligações, preferencialmente nas ramificações. A identificação dos principais produtos radiolíticos revela que os mesmos são menos tóxicos que os originais. Sendo assim, a aplicação da radiação ionizante se apresenta como uma alternativa viável para a neutralização de toxinas, com aplicação direta na descontaminação química.

 

10.5935/1984-6835.20140047


Palavras-chave


Radiação gama; ocratoxina A; cromatografia líquida de alta eficiência; espectrometria de massas; descontaminação química.

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