Caracterização Química do Extrato Orgânico de Sedimentos em Áreas de Cultivo de Ostras e Mexilhões na Baía Sul de Florianópolis, SC

Anderson M. Sewald, Martinho Raul, Natalia M. Rudorff, Carla Bonetti, Luiz Augusto S. Madureira

Resumo


Santa Catarina se destaca como o maior produtor de ostras e mexilhões do Brasil. As principais espécies cultivadas são a ostra exótica Crassostrea gigas, a nativa Crassostrea rhizophorae e o mexilhão nativo Perna perna. A maior parte da produção concentra-se no município de Florianópolis. Este trabalho objetivou estudar possíveis alterações na composição química de sedimentos marinhos causadas pelo intenso cultivo de ostras e mexilhões. Para isso 17 amostras sedimentares foram coletadas dentro e fora de dois sítios de cultivo de ostras e mexilhões na Baía Sul de Florianópolis. As razões atômicas C/N de todas as amostras ficaram entre 4,5 e 6,3; já as razões H/C ficaram próximas de 0,8, o que indica uma origem orgânica planctônica. As concentrações de fósforo total para ambos os sítios variaram entre 73 e 355 ug g-1 de sedimento seco, sendo que dentro dos sítios a concentração de fósforo orgânico foi maior do que inorgânico. Hidrocarbonetos alifáticos, de n-C11 a n-C40, foram encontrados nas amostras dos dois sítios com concentrações totais que variaram de 0,5 a 23 ug g-1, mas não foi constatada diferença estatística significativa entre amostras presentes dentro e fora dos sítios. Esteróis de fitoplâncton e de plantas superiores foram encontrados em todas as amostras, com concentrações totais entre 3 e 22 ug g-1. Com exceção do colesterol, não foi observada diferenças entre os sedimentos presentes dentro e fora dos sítios que pudesse ser associada ao cultivo de moluscos. A composição de ácidos monocarboxílicos foi semelhante para todas as amostras em ambos os sítios. A análise do extrato orgânico dos biodetritos, fezes e pseudofezes de ostras Crassostrea gigas não mostrou nenhum esterol ou ácido carboxílico diferente dos encontrados nas amostras sedimentares. Os resultados obtidos mostraram poucas diferenças entre a composição química dos sedimentos presentes dentro e fora dos sítios, sendo a mais significativa em relação ao fósforo. Os perfis das classes de compostos orgânicos estudados foram todos relativamente semelhantes em todas as amostras.

 

DOI: 10.5935/1984-6835.20120032


Palavras-chave


Ostras; lipídios; sedimento; Florianópolis.

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