Aplicações Recentes da Abordagem de Fármacos Multialvo para o Tratamento da Doença de Alzheimer

Kris Simone T. Dias, Cynthia T. de Paula, Mariana M. Riquiel, Samara T. L. do Lago, Karla Cristinne M. Costa, Sarah M. Vaz, Rafael P. Machado, Laís M. S. de Lima, Claudio Viegas Jr.

Resumo


Nos últimos anos, a Química Medicinal vem buscando novas alternativas e ferramentas capazes de trazer maior agilidade, segurança e um direcionamento mais eficiente no planejamento e prospecção de candidatos a fármacos. Neste contexto, estratégias de descoberta de fármacos focando o desenvolvimento de ligantes que atuem sobre alvos específicos vêm sendo rediscutidas, uma vez que têm aplicação limitada em doenças multifatoriais, onde um conjunto de eventos bioquímicos e alvos proteicos estão envolvidos. Na última década surge uma nova abordagem no planejamento de ligantes baseada na polifarmacologia, visando à descoberta de entidades químicas capazes de atuar em múltiplos alvos simultaneamente. Desde 2005, a literatura vem relatando uma série de trabalhos que utilizam essa estratégia inovadora para o planejamento de fármacos contra a Doença de Alzheimer (DA). A DA é uma doença neurodegenerativa, caracterizada por uma série de eventos interconectados envolvendo a deposição intra e extracelular de fragmentos proteicos, a instalação de um complexo processo neuro-inflamatório, disfunção mitocondrial, apoptose e morte neuronal. Como consequência da evolução da doença, o paciente passa por déficits de memória e colinérgico, passando a incapacidade motora, funcional e morte. Nesta breve revisão, tivemos o objetivo de apresentar os mais recentes avanços (2013-2014) da Química Medicinal no planejamento e descoberta de novos candidatos a protótipos de fármacos multialvo potencialmente úteis ao tratamento da DA. Este trabalho é um complemento a outro artigo de revisão, recentemente publicado por nosso grupo, que cobre o período anterior de 2005-2012. Na maioria dos trabalhos discutidos aqui, a rivastigmina, tacrina, donepezil e galantamina têm sido utilizados como modelos de inibidores de acetilcolinesterase para o planejamento de novos híbridos moleculares com perfil de ação múltiplo. Em outros casos, produtos naturais como a curcumina, resveratrol, berberina e quercetina têm sido eleitos por suas características neuroprotetoras, antiapoptótica, anti-inflamatória e antioxidante para o desenho de novas entidades químicas com propriedades inovadoras e com potencial terapêutico para o tratamento mais eficiente da DA.

 

DOI: 10.5935/1984-6835.20150027


Palavras-chave


Fármacos multialvo; fármacos simbióticos; Doença de Alzheimer; doenças neurodegenerativas; planejamento racional de fármacos; polifarmacologia.

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