Datação de sedimentos com 210Pb: resgate do histórico da poluição ambiental no Antropoceno

José Marcus Godoy

Resumo


Considerando que uma consciência ambiental só se desenvolveu a partir de 1950, quando se deu o período da grande aceleração das mudanças ambientais antropogênicas, os níveis de referência em ambientes fortemente sujeitos aos mais diversos impactos ambientais, como baías e estuários, são desconhecidos. Na ausência de um ambiente que possa ser tomado como referência, o uso de registros sedimentares é bastante útil. Devido ao processo de soterramento, camada por camada, os sedimentos são considerados um registro histórico da poluição neste tipo de ambiente. Contudo, para poder realizar esta reconstrução histórica, há uma necessidade de converter o eixo de profundidade das camadas sedimentares em uma escala de tempo. Levando-se em consideração o tempo de meia-vida, as ferramentas mais conhecidas, como a datação 14C (t½ = 5730 anos), são de pouca aplicação para esta faixa de tempo de cerca de 100 anos, necessitando de outro radionuclídeo natural com meia-vida mais compatível. Nesse sentido, 210Pb (t½ = 22,2 anos) aparece como uma alternativa ideal. O presente trabalho apresenta as bases científicas que norteiam esta aplicação, técnicas de medição de 210Pb e modelos de interpretação de dados. Por fim, são apresentados estudos de casos envolvendo diferentes ecossistemas brasileiros.

Palavras-chave


Datação, sedimentos, 210Pb, Antropoceno



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