A contribuição de estudos do canabidiol e análogos sintéticos no desenho de novos candidatos a fármacos contra transtornos neuropsiquiátricos e doenças neurodegenerativas

Claudio Viegas Jr, Graziella dos Reis Rosa Franco

Resumo


O primeiro uso documentado da Cannabis para fins terapêuticos aparece por volta de 2300 a.C., para o tratamento de constipação, gota, beribéri, malária, reumatismo e problemas menstruais. A busca por efeitos terapêuticos a partir da Cannabis já ocupa os cientistas há mais de 50 anos, sendo que nos últimos 10 anos, foi iniciada uma nova fase de estudos acerca dos componentes da maconha, a exemplo do ?9-tetraidrocanabinol (THC, 1) e do canabidiol (CBD, 2) para uso medicamentoso.  O CBD ocorre em cerca de 40% no extrato bruto de Cannabis sativa, além de outros 60 tipos de canabinoides e inúmeros constituintes não-canabinoides, totalizando cerca de 300 metabólitos secundários. O CBD, apesar de ser um constituinte da Cannabis é desprovido dos efeitos típicos da planta, diferentemente do THC que induz a ansiedade e efeitos psicóticos, sendo o principal ingrediente psicoativo. Estudos sugerem que o CBD possa atuar no cérebro como modulador do THC, podendo ter efeitos ansiolíticos e/ou antipsicóticos, antagonizando alguns efeitos indesejáveis do THC, além de contribuir com propriedades analgésicas, antieméticas e antineoplásicas, afetar a plasticidade sináptica e facilitar a neurogênese. Neste contexto, a literatura científica fortalece a necessidade de avanços e investimentos em pesquisa nesta área, buscando um melhor entendimento do sistema endocanabinoide e a busca por novos canabinoides naturais e sintéticos, visando sua aplicação clínica e ampliação do arsenal terapêutico disponível para doenças psíquicas e neurodegenerativas. Os dados mais recentes de estudos voltados ao melhor entendimento de sua farmacologia e da potencial aplicação terapêutica sugerem que o CBD e seus análogos possam desempenhar papel singular na modulação de alvos moleculares envolvidos em disfunções do sistema nervoso central, possibilitando o desenvolvimento de fármacos inovadores, mais seguros e eficazes no tratamento de pacientes não-responsivos à clínica convencional, com melhora significativa na qualidade de vida e, quiçá, sua cura.  

Palavras-chave


canabidiol, canabinoides, transtornos neuropsiquiátricos, doenças neurodegenerativas



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