Doença de Alzheimer: Caracterização, Evolução e Implicações do Processo Neuroinflamatório

Flávia P. D. Viegas, Maria Cecília R. Simões, Miguel D. da Rocha, Maísa R. Castelli, Marcella S. Moreira, Claudio Viegas Jr

Resumo


A Doença de Alzheimer (DA) é uma doença neurodegenerativa, caracterizada pela diminuição progressiva da memória e declínio severo da cognição, associados com a degradação de neurônios colinérgicos em muitas áreas do Sistema Nervoso Central (SNC), acompanhada de dramática redução de neurotransmissores, entre os quais a acetilcolina (ACh) é o mais importante. A evolução da doença é acompanhada de alterações comportamentais, que evoluem à incapacitação do indivíduo e depressão, culminando em demência e morte. A DA está relacionada com o envelhecimento cerebral e perda localizada de neurônios, principalmente do hipocampo e do pró-encéfalo basal. Histopatologicamente, a DA é caracterizada pelo depósito no cérebro de placas senis extracelulares, formadas por fragmentos insolúveis de peptídeo b-amiloide (bA) e de emaranhados neurofibrilares intracelulares, formados por desestruturação do citoesqueleto dos microtúbulos, devido à hiperfosforilação da proteína TAU, acompanhada por perda massiva de neurônios.

Além dos aspectos comportamentais típicos da instalação da DA, estudos realizados especialmente na última década evidenciaram a ocorrência de um complexo processo inflamatório no tecido neuronal. A relevância da neuroinflamação na instalação, progressão e na severidade da DA, assim como dos mecanismos de ativação do sistema imune e de células-chave ao disparo da cascata inflamatória no SNC, como as microglias e astrócitos, têm sido demonstrada na literatura em importantes trabalhos de revisão. A ativação das microglias pode levar ao recrutamento de astrócitos, que aumentam a resposta inflamatória aos depósitos de bA extracelulares. Este componente neuroinflamatório da DA é adicionalmente caracterizado por uma fase de resposta aguda local mediada por citocinas, ativação da cascata complemento e indução de um sistema enzimático inflamatório, como NO sintase induzida (iNOS), ou seja, a síntese do óxido nítrico(NO), um importante neurotransmissor, além da geração de cicloxigenase-2 (COX-2). Os astrócitos, por sua vez, participam da degradação e remoção do bA, servindo de barreira protetora entre os depósitos de bA e os neurônios. O caráter multifatorial da resposta inflamatória é caracterizado pela ocorrência de uma grande diversidade de mediadores pró- e anti-inflamatórios, sendo muitos destes responsáveis pela promoção de mecanismos neurodegenerativos, enquanto outros podem limitar o avanço da inflamação ou exercer efeitos neurotróficos benéficos. Portanto, não será um único mediador, mas um conjunto de agentes inflamatórios que determinarão a prevalência de efeitos deletérios ou benéficos durante a evolução da DA.

 

DOI: 10.5935/1984-6835.20110034


Palavras-chave


Doença de Alzheimer; neurodegeneração; neuroinflamação

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